Metalomecânica em Portugal: o setor “invisível” que sustenta a indústria nacional

A metalomecânica integra a fileira do metal, o principal motor industrial de exportação em Portugal. Dentro deste universo, o subsetor dos “produtos metálicos” (CAE 25) apresenta uma dinâmica própria: reúne milhares de PME fortemente exportadoras e com um peso significativo no emprego industrial. A AICEP sublinha que a metalomecânica, por si só, marca presença em mais de 200 mercados e representa uma parcela muito relevante das exportações nacionais, com forte implantação nas regiões Norte e Centro.

Segundo a ficha setorial do IAPMEI, a metalomecânica representa uma fatia importante da indústria transformadora, destacando-se pelo volume de negócios, pelo emprego e pelo valor acrescentado bruto. Em 2020, as empresas do setor concentravam cerca de 12–13% do emprego da indústria transformadora e aproximadamente 8–12% do volume de negócios, números que confirmam o seu peso estrutural no tecido produtivo nacional.

Além disso, a metalomecânica funciona como base de suporte para vários clusters com grande projeção internacional, como os setores de automóveis, da mobilidade, da construção, da energia ou da logística. Sempre que uma fábrica exporta máquinas, componentes automóveis ou soluções energéticas, é altamente provável que parte da estrutura ou das peças metálicas tenha sido produzida por uma empresa metalomecânica portuguesa. Por isso, diversos estudos e análises referem este subsetor como um dos “pilares” discretos da indústria nacional, impulsionando inovação, exportação e desenvolvimento tecnológico.

A imagem tradicional de que “metalomecânica = serralharia” já não espelha a realidade de uma parte significativa do setor. Muitas empresas têm vindo a investir em tecnologias de corte a laser, CNC, maquinaria de precisão e soldadura robotizada, permitindo-lhes trabalhar com tolerâncias exigentes, séries curtas e projetos altamente personalizados. Esta modernização aproxima a metalomecânica de segmentos de maior valor acrescentado, como componentes para energias renováveis, mobilidade avançada, bens de equipamento ou soluções à medida para a indústria 4.0.

Em paralelo, cresce a preocupação com a segurança, a ergonomia e a sustentabilidade dos processos metalomecânicos, tanto ao nível das instalações como dos equipamentos e materiais. Esta modernização tecnológica aumenta a pressão sobre a necessidade de mão-de-obra qualificada: o setor enfrenta dificuldades em recrutar soldadores especializados, serralheiros-montadores, operadores de CNC e técnicos capazes de programar e operar equipamentos de última geração. Para muitas empresas, o desafio já não reside apenas em assegurar contratos, mas em formar e reter equipas que acompanhem o ritmo da transformação tecnológica.

O reforço da competitividade da metalomecânica portuguesa assenta em três eixos principais: investimento contínuo em tecnologia, internacionalização e desenvolvimento de competências. No campo tecnológico, a adoção de soluções digitais (CAD/CAM, MES, monitorização em tempo real da produção) e de sistemas de automação flexível pode melhorar a gestão de séries curtas, reduzir lead times e otimizar custos energéticos. No domínio da internacionalização, as empresas do setor têm margem para evoluir de meras fornecedoras indiretas para verdadeiras parceiras de desenvolvimento em projetos globais, participando mais cedo nas fases de engenharia e co-desenho.

Por fim, existe uma oportunidade clara para desenvolver estratégias de employer branding industrial e reforçar a formação em parceria com escolas profissionais, institutos politécnicos e centros tecnológicos, tornando o setor mais atrativo para as novas gerações.

A existência de projetos tecnológicos, ambientes de trabalho mais seguros e percursos de carreira com dimensão internacional, a metalomecânica pode reposicionar-se como uma opção profissional moderna e alinhada com as grandes transições digital e ecológica.

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