O e-commerce em Portugal, está a crescer muito rápido, reconfigurando toda a cadeia de valor. Em 2023, o mercado português de compras online movimentou cerca de 11,1 mil milhões de euros, um crescimento de cerca de 8,8% face a 2022.
O universo das compras online ultrapassou, no final de 2024, os 5,5 milhões de portugueses, o que representa cerca de 64% da população adulta. Este aumento, por parte dos consumidores online permite perceber que há mais encomendas e ao mesmo tempo mais pressão sobre as operações, uma tecnologia sem falhas e uma experiência de cliente mais agradável.
O mobile commerce, os modelos de subscrições, as estratégias D2D (direct-to-consumer) e o omicanal, também consolidam os principais pilares da estratégia comercial das marcas. Atualmente, os clientes esperam que a experiência entre a loja física e online seja contínua, prática e personalizada.
Na logística, o impacto é claro: há mais volume, as entregas são mais frequentes, e os clientes exigem que a entrega final seja rápida, confiável e em segurança. A logística da etapa final da distribuição (last-mile), isto é, a entrega ao destinatário final, é hoje um dos principais desafios em Portugal, devido aos elevados custos operacionais, ao trânsito urbano e à crescente exigência pelas entregas rápidas. Por esta razão, tem que haver investimento nos hubs automatizados, pontos de recolha, lockers e otimização de rotas com recursos a dados e tecnologia.
Atualmente, a questão já não é se o e-commerce vai continuar a crescer, mas sim como alguns negócios têm que se adaptar a esta nova realidade. As oportunidades encontram-se nas múltiplas frentes:
- Nichos verticais com propostas de valor muito claras e conteúdos muito bem segmentados;
- Modelos de D2C, que aproximam a marca do consumidor e reduzem a dependência de intermediários;
- Serviços de logística de encomendas para as PMEs, que não têm escala para investir nas próprias infraestruturas;
- Last-mile sustentável, com soluções de proximidade, veículos de baixas emissões e pontos de recolha;
- Integração de loja online, onde o stock, o preço e a experiência são consistentes para todos os canais;
Em 2026, o comércio eletrónico entra numa nova fase: mais inteligente, mais rápido e, sobretudo, centrado no cliente. A integração da IA está a mudar tudo, desde a previsão de padrões de compra e o ajuste dinâmico de preços até à otimização das rotas logísticas. O consumidor português está, ao mesmo tempo, mais exigente do que nunca: quer entregas no dia seguinte, experiências conscientes tanto nas lojas físicas como no canal online, e cada vez, mais uma comunicação transparente ao longo de todo o processo.
Atualmente, já não basta investir na tecnologia, é preciso investir na confiança, na sustentabilidade e na experiência do consumidor. O futuro do e-commerce será definido pela capacidade de unir dados e pessoas num ecossistema verdadeiramente omnicanal.
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